14 outubro, 2007

Théâtre du Soleil
Que viagem... Começa quando ingressamos nos domínios do Théâtre du Soleil. Uma tenda gigante abriga toda a estrutura: da arena onde acontece a encenação, com seus bastidores e camarins (expostos) - ao restaurante que alimenta a companhia e o público.

Les Éphémères é uma colagem de trechos do cotidiano, cuidadosamente escolhidos e ordenados para não deixar dúvidas quanto à nossa insignificância e mortalidade. Fragmentos de vidas desfilam diante da platéia, encenados sobre tablados redondos empurrados por técnicos e também pelos próprios atores da companhia. Mal comparando, parecem carros alegóricos. Essa solução cênica acentuou a tridimensionalidade do teatro. O tablado passa girando diante da gente, de modo que a platéia acompanha a cena em todos os ângulos. Gostei, gostei. Na estréia só foi apresentada a primeira parte, de 3 horas e 15 minutos (as arquibancadas são um charme mas desconfortaveis e portanto não recomendo a versão integral, de 6 horas e meia). Mas pretendo voltar, pra ver a outra metade




Um Dia, no Verão
Quando as luzes do palco se acendem surge a sala de uma casa de praia e, através das janelas e portas de vidro vê-se o mar... uma linda vista do mar, em movimento (com direito a som das ondas estourando). A projeção, que ocupa todo o fundo do palco, me seduziu de imediato. Ficou muuuito legal. Reforça a atmosfera bucólica e o tom dramático do texto de Jon Fosse (o cara é norueguês). Renata Sorrah está em plena forma, todo o elenco junto não chega aos pés dela - a mais velha ali, hein?? Sílvia Buarque e Grabriel Braga Nunes também estão bem na peça. Há ótimas fotos no álbum de André Gardenberg.



Satyrianas
A noite quente e a Praça Roosevelt lotada de gente bonita e/ou interessante já teriam valido a ida à abertura das Satyrianas (80 horas de teatro!). Aproveitei pra ver Hugo Possolo (d'Os Parlapatões) no monólogo Prego na Testa - Aimar Labaki adaptou e dirigiu o texto do americano Eric Bogosian. Estreou há anos e já tava fora de cartaz há um tempão, nunca me conformei por ter deixado passar. Possolo põe no bolso qualquer ator que tenha surgido na atual onda das stand-up comedies. Ele exerce total controle sobre a platéia. Domina a comédia tanto quanto o drama. Fui às lágrimas mais de uma vez: algumas de tanto rir, outras de emoção.


 
Por Sônia Guimarães às 19:11    


1 Comments:


At 16 outubro, 2007, Anonymous Vicente

Renata Sorrah é demais no teatro. Devia fazer mais. Vc viu "Mais Perto" (a outra montagem de "Closer")?.